
“O Papa acompanha-nos na renovação. E nós segui-lo-emos por toda a parte”
“Com os jovens, recordou Wojtyla e a necessidade de construir comunhão”. Do Corriere della Sera, entrevista com Davide Prosperi, presidente da Fraternidade de CL, no dia seguinte à visita do Papa a RiminiDavide Prosperi, está satisfeito com a visita do Papa?
Eu vi Leão XIV sinceramente feliz – responde o presidente da Fraternidade de CL. – Mas somos nós que devemos estar-lhe gratos: não esperávamos um envolvimento tão profundo.
O que mais chamou a sua atenção no discurso dele?
A insistência em não nos fecharmos em cercas, mas irmos pelo mundo inteiro. E depois a parte final, em que se referiu a nós, que ilumina o nosso caminho.
Havia uma narrativa de uma relação má com o Papa Francisco
Não era verdade, de modo algum, ele estimava-nos. Mas percebeu aspetos que precisavam de ser mudados. Leão quis tranquilizar-nos, incentivando-nos a continuar no caminho da renovação. Podemos e devemos ser realmente gratos a Francisco por nos ter acompanhado e sustentado com paternidade ao longo de um caminho que nos permitiu enfrentar um passo decisivo da nossa história, até à aprovação dos novos estatutos.
O Papa disse que são necessários pioneiros corajosos.
Aqui no Meeting vejo muitos deles, sinceramente. A começar pelas duas mulheres que participaram do encontro inaugural: parece óbvia a amizade entre a mãe de um assassino e a irmã da vítima, uma muçulmana e a outra cristã? E o que dizer dos representantes do mundo da cultura e da sociedade civil sentados à mesma mesa, confrontando-se sobre a beleza e o bem comum, para além das respetivas culturas e pertenças? São exemplos, por menores que sejam, mas reais, de coragem: a coragem de afirmar um bem possível, para além daquele falso realismo denunciado pelo Papa, que nos quer fechados em cercas e incapazes de nos relacionar.
“O mal não se combate com o mal”. É mais uma condenação às guerras.
Estamos gratos ao Papa por nos ter ajudado a nos identificarmos com o seu olhar. Um olhar original, capaz de olhar para além da aparência. O mal não se cura com o mal, disse-nos, mas com o testemunho de um bem possível: é justamente o testemunho de experiências de bem a responsabilidade à qual somos chamados. É isso que, no Meeting, nos empenhamos em fazer todos os anos; e é o que prossegue na vida das comunidades do Movimento presentes no mundo.
O Papa estigmatiza a prepotência, a ideologia, a idolatria do lucro. É um “reconhecimento” severo dos tempos modernos.
É um juízo realista, mas que também introduz uma perspetiva profética: “Custodiar o humano”. É uma tarefa que ele nos confia com a encíclica Magnifica humanitas e que nos compromete a dialogar com todos, para construirmos juntos uma sociedade mais humana.
O elogio ao Meeting como “um encontro que multiplica os encontros”…
O Meeting expressa a natureza católica, isto é, universal do Movimento: uma paixão indómita pela exigência de beleza, de verdade e de justiça que habita no coração de cada pessoa e de cada povo. E é desejável que essa paixão se torne contagiosa.
O Papa cita don Giussani e o “risco educativo”. Como é que ele se concretiza hoje?
Hoje, mais do que nunca, a educação exige um tempo adequado e um espaço de liberdade, para que se possa propor um critério de leitura da realidade e depois verificá-lo na própria experiência quotidiana. Na escola de don Giussani, aprendemos que, para verificar a verdade e a beleza da fé, é preciso pô-la em jogo no ambiente em que se vive, da universidade ao mundo do trabalho.
Leão XIV convida os jovens a “pôr-se em jogo”. Como?
Ao visitar o Villaggio Ragazzi do Meeting, o Papa retomou a afirmação de João Paulo II: aquilo de que o mundo de hoje precisa é a comunhão, e os jovens sabem construí-la a partir da amizade. É uma alternativa radical à mentalidade corrente, que concebe a liberdade como autonomia e vê o homem como um indivíduo que se constrói por si mesmo.
O discurso encerrou-se exaltando a unidade, inclusive “com a Sé Apostólica”.
É uma indicação para o caminho do Movimento; deve envolver, como nos disse o Papa, todas as sensibilidades do nosso povo, ao serviço da Igreja inteira. É justamente o seguimento da autoridade, a começar pela do Santo Padre, o que nos coloca neste caminho. As palavras com que concluí a minha saudação expressam o compromisso de todo o Movimento: “Nós o seguiremos por onde quer que nos conduza”.