Leão XIV aparece pela primeira vez na Loggia central da Basílica de São Pedro (© Vatican Media / Catholic Press Photo)

Robert Francis Prevost, um ano como Leão

As palavras proféticas e as relativas às guerras. A reabertura do Palácio Apostólico e de Castel Gandolfo. O Jubileu e as viagens. Os primeiros doze meses de pontificado do primeiro Papa americano da história em igual número de imagens (mais uma)
Roberto Beccaria

São 19h23 do dia 8 de maio de 2025. Já se sabe que o novo Papa é o americano Robert Francis Prevost e que escolheu o nome Leão XIV. Mas é quando aparece na Loggia central de São Pedro que finalmente todos veem o rosto do 267.º sucessor de Pedro, que escolhe regressar à solenidade tradicional, vestindo a batina branca, a mozeta vermelha com capuz e uma estola bordada a ouro. As primeiras palavras de Leão são proféticas: «A paz esteja com todos vós!».

Maio, a eleição


8 de maio de 2025 - O Papa Leão XIV aparece pela primeira vez na Loggia de São Pedro (© Vatican Media /Catholic Press Photo)

Leão lê um texto para a primeira bênção a partir da Loggia central da Basílica de São Pedro, explicitando a marca que quer dar ao seu pontificado: «A paz esteja com todos vós! (...) Esta é a paz de Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante. Ela vem de Deus, Deus que nos ama a todos incondicionalmente».

Junho, o Jubileu dos Movimentos


7 de junho de 2025 - O Papa Leão na Praça de São Pedro para o Jubileu dos Movimentos, no dia de Pentecostes (© Alessia Giuliani/Catholic Press Photo)

A 7 de junho, festa de Pentecostes, o Papa Leão recebe na Praça de São Pedro os Movimentos eclesiais. Na homilia, convida todos a serem fermento no mundo: «Somos um povo em caminho. Essa consciência não nos afasta, mas faz-nos mergulhar na humanidade, como o fermento, que leveda toda a massa». Na noite anterior, em audiência com os responsáveis dos Movimentos eclesiais, Prevost tem palavras de conforto: «A instituição existe para que a graça seja sempre oferecida, os carismas são suscitados para que essa graça seja acolhida e dê frutos. Sem os carismas, corre-se o risco de que a graça de Cristo, oferecida em abundância, não encontre o terreno propício para a receber! É por isso que Deus suscita os carismas, para que despertem nos corações o desejo de um encontro com Cristo, a sede da vida divina que Ele nos oferece, numa palavra, a graça!».

Julho, o regresso a Castel Gandolfo


6 de julho de 2025 - O Papa Leão espreita da varanda de Castel Gandolfo (© Alessia Giuliani/Catholic Press Photo)

De 6 a 20 de julho, Leão está em Castel Gandolfo. Para acolher o novo Papa, está uma grande multidão. Ele saúda todos, beija crianças, abençoa quem o chama. Fechados os portões, enquanto a multidão se vai dispersando, o grito de uma mulher chama a atenção de todos: o Papa Leão aparece à varanda da villa, espreitando por entre os painéis de madeira decorados com hera.

Agosto, o Jubileu dos jovens


2 de agosto de 2025 - O Papa Leão preside à vigília de oração em Tor Vergata para o Jubileu dos jovens (© Alessia Giuliani/Catholic Press Photo)

Na esplanada de Tor Vergata acorre um milhão de jovens. O Papa preside à vigília de sábado à noite. E depois, na homilia de domingo, convida todos a não enganarmos o nosso coração:
«Queridos amigos, nós também somos assim: fomos feitos para isto. Não para uma vida onde tudo é óbvio e parado, mas para uma existência que se renova constantemente no dom, no amor. E assim aspiramos continuamente a um “algo mais” que nenhuma realidade criada nos pode dar. Sentimos uma sede tão grande e ardente que nenhuma bebida deste mundo pode saciar. Diante dela, não enganemos o nosso coração, tentando extingui-la com subterfúgios ineficazes! Antes, ouçamo-la! Façamos dela um estrado para subir e espreitar na ponta dos pés, como crianças, pela janela do encontro com Deus. Encontrar-nos-emos diante d’Ele, que nos espera, ou melhor, que bate gentilmente ao vidro da nossa alma. E, mesmo aos vinte anos, é bom abrir-lhe o coração, deixá-lo entrar, para depois nos aventurarmos com Ele pelos espaços eternos do infinito». E alguns jovens, hoje com mais alguns anos sobre os ombros, sentem ressoar o eco das palavras de São João Paulo II.

Setembro, a canonização de Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassati


7 de setembro de 2025 - O Papa Leão saúda os fiéis na Praça de São Pedro depois da canonização de Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassati (© Claudio Asquini/Catholic Press Photo)

É um dia belíssimo. Di-lo o próprio Papa Leão antes de começar a missa para a canonização de «um jovem do início do século XX e um adolescente dos nossos dias, ambos apaixonados por Jesus e prontos a dar tudo por Ele», como afirma Prevost na homilia. Que conclui com estas palavras: «Os santos Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis são um convite dirigido a todos nós – especialmente aos jovens – a não desperdiçar a vida, mas a orientá-la para cima e a fazer dela uma obra-prima».

Outubro, a oração ecuménica pela paz


28 de outubro de 2025 - A oração ecuménica pela paz no Coliseu (© Catholic Press Photo)

«Só a paz é santa. Chega de guerras com os seus penosos amontoados de mortos, destruições, exilados!». Com estas palavras, o Papa Leão encerra o evento “Ousar a paz”, o encontro internacional organizado pela Comunidade de Santo Egídio, na presença de líderes religiosos de todo o mundo. Passaram dois anos desde 7 de outubro. E há dois anos que o exército de Jerusalém bombardeia Gaza. A voz de Prevost eleva-se com força a partir do Coliseu: «Quem não reza abusa da religião, até mesmo para matar. Ai daquele que tenta arrastar Deus para as guerras! (…) Deus pedirá contas a quem não procurou a paz ou fomentou as tensões e os conflitos».

Novembro, sobre o túmulo de São Francisco


20 de novembro de 2025 - O Papa Leão reza em silêncio sobre o túmulo de São Francisco de Assis ((© Vatican Media/Catholic Press Photo)

É o oitavo centenário da morte de São Francisco. O Papa Leão desloca-se a Assis para se encontrar com os bispos italianos, reunidos para a sua 81.ª Assembleia Geral. Nessa ocasião, detém-se para rezar, de joelhos e em silêncio, junto do túmulo do Pobrezinho. A ele volta a pedir, mais uma vez, o dom da paz, num «momento em que o mundo precisa de sinais de esperança como aqueles que este santo representava».

Dezembro, o primeiro Natal como Papa


24 de dezembro de 2025 - O Papa Leão beija a estátua do Menino Jesus no início da missa da vigília de Natal (© Vatican Media/Catholic Press Photo)

Para Prevost, é o primeiro Natal como Papa. E, mais uma vez, ergue a voz para invocar a paz: «Uma vez que o Verbo se fez carne, agora a carne fala, brada o desejo divino de nos encontrar. O Verbo ergueu no meio de nós a sua frágil tenda. E como não pensar nas tendas de Gaza, expostas durante semanas à chuva, ao vento e ao frio, e nas tendas de tantos outros deslocados e refugiados em todos os continentes; ou nos refúgios improvisados de milhares de pessoas sem-abrigo nas nossas cidades?». E na noite anterior, durante a homilia da missa da vigília: «Na terra não há espaço para Deus se não houver espaço para o homem: não acolher um significa não acolher o outro. Em vez disso, onde há lugar para o homem, há lugar para Deus: então um estábulo pode tornar-se mais sagrado do que um templo e o ventre da Virgem Maria é a arca da nova aliança».

Janeiro, o encerramento da Porta Santa


6 de janeiro de 2026 - O Papa fecha a Porta Santa de São Pedro: é o último rito do Jubileu da esperança (© Alessia Giuliani/Catholic Press Photo)

O Papa Francisco tinha aberto o Jubileu da esperança na noite de Natal de 2024. O Papa Leão encerra-o a 6 de janeiro de 2026, na festa da Epifania. Estima-se que tenham chegado a Roma cerca de 35 milhões de peregrinos. A Prevost interessa sobretudo aquilo que os peregrinos encontraram: «A Porta Santa desta Basílica que, por último, hoje foi fechada, recebeu o fluxo de inúmeros homens e mulheres, peregrinos de esperança, a caminho da Cidade cujas portas estão sempre abertas, a nova Jerusalém. Quem foram eles e o que os movia? No final do Ano Jubilar, questiona-nos com particular seriedade a busca espiritual dos nossos contemporâneos, muito mais rica do que talvez possamos compreender. Milhões deles atravessaram a soleira da Igreja. E o que encontraram? Que corações, que atenção, que acolhimento? Sim, os Magos ainda existem. São pessoas que aceitam o desafio de arriscar cada um a própria viagem, que num mundo conturbado como o nosso, sob muitos aspetos repulsivo e perigoso, sentem a necessidade de partir, de procurar».

Fevereiro, a Quarta-feira de Cinzas e o início da Quaresma


18 de fevereiro de 2026 - O Papa Leão recebe a imposição das cinzas no início da Quaresma (© Vatican Media/Catholic Press Photo)

«Aqui ganha forma um povo que reconhece os próprios pecados, ou seja, reconhece que o mal não vem de presumíveis inimigos, mas que tocou os corações, que está dentro da própria vida e que deve ser enfrentado com um corajoso assumir de responsabilidades». Assim prega o Papa Leão durante a missa na Basílica de Santa Sabina, em Roma, na Quarta-feira de Cinzas. «Devemos admitir que se trata de uma atitude contracorrente, mas que constitui uma verdadeira opção, honesta e atraente, quando é tão natural o declarar-se impotente diante de um mundo em chamas. Sim, a Igreja também existe como profecia de comunidades que reconhecem os seus pecados».

Março, a visita pastoral ao Mónaco


28 de março de 2026 - O Papa Leão em visita pastoral ao Mónaco (© Vatican Media/Catholic Press Photo)

Leão é o primeiro Papa a realizar uma visita apostólica ao Principado do Mónaco desde 1538. É recebido pelos príncipes Alberto II e Charlène, com os seus dois filhos, os gémeos Jacques e Gabriella. A princesa do Mónaco é uma das oito mulheres no mundo a quem o protocolo permite vestir de branco na presença do Papa. Para além dela, a rainha (e a rainha emérita) de Espanha, a rainha (e a rainha emérita) da Bélgica, as duas grã-duquesas do Luxemburgo e Marina Doria, da Casa de Saboia. No Mónaco, uma das capitais mundiais dos ricos e poderosos, o Papa não perde a oportunidade de recordar a responsabilidade de quem tem tudo e governa, no sentido de agir em prol do bem comum.

Abril, a Via Sacra no Coliseu e a Páscoa


3 de abril de 2026 - O Papa Leão carrega a cruz durante a Via Sacra no Coliseu (© Alessia Giuliani/Catholic Press Photo)

O Papa Leão carrega a cruz. Literalmente. Ao longo de todas as 14 estações da tradicional Via Sacra no Coliseu. No dia anterior, Quinta-feira Santa, durante a Missa in Coena Domini, tinha lavado e beijado os pés a 12 sacerdotes romanos. E depois a primeira Páscoa como pontífice, com as palavras na bênção Urbi et Orbi: «A força com que Cristo ressuscitou é completamente não violenta. É semelhante à de um grão de trigo que, ao decompor-se na terra, cresce, abre passagem pelas leivas, germina e transforma-se numa espiga dourada. É ainda mais semelhante à do coração humano que, ferido por uma ofensa, rejeita o instinto de vingança e, cheio de piedade, reza por quem o ofendeu».

Maio, o encontro com o Secretário de Estado dos EUA


7 de maio de 2026 - O Papa Leão recebe o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no Vaticano (© Vatican Media/Catholic Press Photo)

É 7 de maio, a véspera do primeiro aniversário como Papa. E Leão encontra-se com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. É o seu modo de responder às acusações que lhe foram dirigidas nas últimas semanas pelo presidente americano Donald Trump: dialogar com todos, nunca cortar pontes. Também esta é uma das missões do Papa.