Escursionisti sul Monte Bianco (©Tim Jones/Unsplash)

Um “sim” grato

Os votos do Davide Prosperi, publicados em clonline.org no final de 2025.
Davide Prosperi

Se eu tivesse de responder à pergunta: «O que dirias, resumidamente, do ano que agora terminou?», eu diria que o carisma de CL está vivo, fértil e operativo. Nestes meses encontrei muitas comunidades do Movimento e assim pude tocar na vida nova que continua a jorrar do carisma dado a don Giussani. Como nos indicou o Cardeal Pizzaballa, aquilo de que a Igreja e o mundo mais precisam hoje não são heróis individuais, mas comunidades vivas onde possam florescer sujeitos novos, construtores de paz porque imersos na comunhão que nasce do encontro com Cristo, na qual é possível viver o perdão e a estima recíprocos mesmo quando se continua a errar ou a cair: há Alguém maior que une.

Foi o que vi em ação, por exemplo, durante uma assembleia em que uma rapariga russa disse que participar daquele momento, ao lado de jovens ucranianas, despertava nela uma grande gratidão pela possibilidade de unidade e, ao mesmo tempo, uma partilha profunda da dor delas pelo seu país martirizado. Normalmente prevalece a raiva ou o medo, ou então o sentimento de culpa ou de impotência; só o encontro com Deus feito homem, quando é acolhido, permite olhar e abraçar o outro por amor ao seu destino. Realiza-se assim o milagre de uma amizade, para além de qualquer motivo de divisão.

Encontrámo-nos várias vezes com os amigos da Terra Santa; alguns deles participavam à distância enquanto soavam as sirenes antiaéreas, e diziam-nos que, para eles, esta companhia é essencial, porque permite enfrentar circunstâncias terríveis com uma esperança que, de outro modo, seria impossível. Encontrei amigos cubanos dispostos a renunciar às únicas horas de eletricidade do dia para participar no gesto da caritativa, porque os educa a viver sem serem esmagados pelo sentimento de injustiça e pelo ressentimento.

A comunhão é fonte de uma vida nova e de um juízo novo sobre as coisas. Fiquei impressionado, a propósito disto, com os nossos amigos do Movimento na Alemanha que, perto das eleições, sentiram a urgência de se reunir para procurar um juízo sobre a circunstância que nascesse da fé, da pertença vivida a Cristo, acabando por depois propor um contributo público.

Podemos ser todos uns miseráveis, mas, na nossa unidade, guardamos uma coisa grande, que é o amor de Cristo por cada um de nós: Ele alcançou-nos no seio desta companhia e, através dos nossos rostos, quer encontrar outros pobres como nós, que aguardam, ainda que inconscientemente, o Seu olhar, aguardam fazer a experiência daquilo que Cristo trouxe ao mundo, isto é, o amor do Pai, resposta ao nosso desejo de realização.

O que nos é pedido, a nós, que não temos nada senão o que nos foi dado?
Um “sim” cheio de gratidão: reconhecer e acolher a iniciativa que Cristo tomou em relação à nossa vida, tornando-nos assim anúncio ao mundo da Sua presença. Nisto se inscreve a importância do que aconteceu em setembro, com a aprovação dos novos Estatutos por parte do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida: é o sinal de uma estima em relação à nossa experiência e de uma paternidade que nos permite estar confiantes ao enfrentarmos o novo ano, desejosos de prosseguir o nosso caminho juntos e de levar a todos, onde quer que estejamos, através de tudo o que somos, fazemos e dizemos, a graça do encontro.

O Movimento não é apenas uma coisa preexistente à nossa vida: o Movimento é a nossa vida, todos somos responsáveis pela sua construção. Sustentemo-nos no caminho que nos espera, que confiamos à intercessão de Maria, nossa Mãe.
Bom ano para todos vocês! Com afeto,

Davide