OK, o digital transforma o trabalho, mas como?

Realidade aumentada, robotização e evoluções tecnológicas. Se a palavra chave é “interligação” e não automação...
Giorgio Vitadini*

4.0
É um número que já se tornou familiar e representa o estádio "evolutivo" atual da tecnologia de informação.
Como sabemos, a inovação prossegue a ritmos implacáveis e em vinte anos, assistimos à transição de sites estáticos (1.0), usados para a comunicação de informações com um fluxo essencialmente monodireccional, para um envolvimento crescente dos utilizadores, para a implementação de técnicas de inteligência artificial aplicadas aos recursos da web com o objetivo de evoluir o diálogo homem-máquina.

A Fase 4.0, já iniciada, oferece novos produtos: realidade aumentada (interação na web em tempo real que permite sobrepor o mundo ao nosso redor com informações da web) e novas interfaces com as quais interagir, como a domótica ou máquinas inteligentes, que nos permitem trocar dados de realidade com o nosso alter ego digital.

E é exatamente esta última fronteira, a aplicação das tecnologias digitais ao mundo da produção, que está a arrancar, a era da Indústria 4.0, uma área à qual o nosso número está associado. Como sublinha um bom artigo de Alessandro Perego sobre o assunto na revista online Atlantide, "a palavra-chave da Indústria 4.0 não é automação, mas interligação », tornada possível por software cada vez mais sofisticado, que tornará as empresas industriais e de manufatura muito mais competitivas e eficientes, precisamente através da "interligação e cooperação de recursos (instalações, pessoas, informações) quer internos à fábrica, quer distribuídos ao longo de todo o processo que se desenrola desde a conceção dos produtos até ao seu uso ", sem esquecer o advento de "Robôs colaborativos que potenciarão a capacidade executiva e a tomada de decisão do homem ".

É difícil imaginar onde todo esse progresso nos levará. Mais condições para os trabalhadores, novos empregos mais produtivos, portanto, melhor qualidade de vida ou ao espectro do desemprego, senão mesmo ao advento de máquinas que se irão sobrepor ao homem?

Sobre a questão crucial do desemprego causada pelo progresso tecnológico, não há consenso entre os especialistas. Há aqueles que insistem em que se vão perder algumas tarefas, mas outras serão obtidas, e aqueles que sublinham a massa de trabalhadores não qualificados que vão permanecer à margem.

Mas há um outro ponto sobre o qual valeria a pena refletir. Como afirma Nicholas Carr no livro The glass cage (“A gaiola de vidro”), algumas das tecnologias mais recentes, em vez de aumentar a capacidade de conhecer e ganhar experiência da realidade, correm o risco de separar o homem da realidade, colocando-o numa espécie de "bolha de vidro", tirando-lhe o gosto do contacto direto com o mundo real.

Muito do nosso futuro dependerá da direção que for tomada: projetar e usar as novas tecnologias para substituir o homem ou aumentar a sua capacidade de conhecer e penetrar a realidade.



*Presidente da Fundação para a Subsidiariedade