“Maria não faz objeções sobre o futuro de Deus” - Textos de João Paulo II

“Maria não faz objeções sobre o futuro de Deus”

João Paulo II Passos

01/10/2003 - Igreja - João Paulo II

Nossa Senhora ensina o caminho para uma liberdade madura. A necessidade de educa-se para a liberdade no comovente testemunho de João Paulo II durante a última visita apostólica à Eslováquiaa

“Eis-me aqui, sou a serva do Senhor” (Lc 1,38), diz Maria no trecho evangélico que acabamos de ouvir. Ela se dirige ao Anjo Gabriel, que lhe comunica o chamado de Deus para se tornar a mãe do seu Filho. A encarnação do Verbo é o ponto decisivo do “projeto” manifestado por Deus desde o início da história humana, depois do primeiro pecado. Ele quer comunicar aos homens a sua própria vida, chamando-os a se tornarem seus filhos. É um chamado que espera a resposta de cada um. Deus não impõe a salvação; a propõe como iniciativa de amor, à qual é preciso dar uma resposta livre, também ela motivada pelo amor.
Nesse sentido, o diálogo entre o Anjo e Maria, entre o céu e a Terra, é paradigmático: tiremos dele algumas indicações para nós.
O Anjo manifesta as expectativas de Deus para o futuro da humanidade, Maria responde trazendo responsavelmente a atenção para o seu presente: é noiva de José, prometida como esposa a ele (cf. Lc 1,34). Maria não levanta objeções a respeito do futuro de Deus, mas pede luz para o presente humano, com o qual está envolvida. Ao pedido de Deus responde entrando em diálogo com Ele. E Ele prefere pessoas responsáveis e livres.
Em tudo isso, qual é a lição para nós? Maria nos ensina o caminho para uma liberdade madura. Em nosso tempo, não são poucos os cristãos batizados que ainda não personalizaram, de maneira adulta e consciente, a própria fé. Dizem-se cristãos, mas não reagem com responsabilidade plena à graça recebida; ainda não sabem o que querem nem por que querem.
Eis a lição a tirar hoje: é urgente educar-se para a liberdade. Em especial, é urgente que, nas famílias, os pais eduquem os próprios filhos para a justa liberdade, preparando-os para darem uma oportuna resposta ao chamado de Deus. As famílias são o viveiro no qual se formam as plantinhas das novas gerações. Nas famílias forja-se o futuro da nação.
“Eis-me aqui, eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Maria crê e, por isso, diz sim. É uma fé que se torna vida: torna-se compromisso com Deus, que a plenifica com a maternidade divina, e compromisso com o próximo, que espera a sua ajuda na pessoa da prima Isabel (cf. Lc 1,39-56). Maria entrega-se livre e conscientemente à iniciativa de Deus, que realizará nela as suas “maravilhas”: mirabilia Dei.
Diante da atitude da Virgem, somos convidados a refletir: para cada Deus tem um projeto, a cada um Ele dirige o seu “chamado”. O que conta é saber reconhecer esse chamado, saber acolhê-lo, saber ser fiel a ele.
Caros irmãos e irmãs, é preciso dar espaço a Deus! Na variedade e riqueza das diversas vocações, cada um é chamado, a exemplo de Maria, a acolher Deus na própria vida e a percorrer com Ele as estradas do mundo, anunciando o seu Evangelho e testemunhando o seu amor.
Seja esse o compromisso que todos, hoje, assumimos, colocando-nos confiantes nas mãos maternas de Maria. Sua intercessão nos obtenha o dom de uma fé forte, que torne límpido o horizonte da existência e transparentes a mente, o espírito e o coração. Amém!


Banská Bystrica, Homilia de sexta-feira, 12 de setembro de 2003

(Texto publicado em Passos n. 44, outubro/2003)

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