Carta de João Paulo II a Dom Giussani - Textos de João Paulo II


Carta de João Paulo II a Dom Giussani

João Paulo II

22/02/2004 - por ocasião do 50° aniversário do nascimento de Comunhão e Libertação, 22 de fevereiro de 2004

Ao Reverendíssimo Monsenhor Luigi Giussani
Fundador do Movimento “Comunhão e Libertação”

1. No próximo mês de outubro vão se completar cinqüenta anos do momento em que V. Rev.ma, deixando a docência na Faculdade Teológica do Seminário de Venegono, começou a ensinar religião no Liceu Clássico “Berchet”, em Milão, dando início, assim, a um itinerário associativo e eclesial que depois se tornou o Movimento e, sucessivamente, a Fraternidade de “Comunhão e Libertação”. Uno-me de bom grado à ação de graças que neste aniversário se eleva a Deus, Doador de todo bem, partindo do coração sacerdotal de V. Rev.ma e do coração de quantos vieram a fazer parte do Movimento. A Providência Divina realizou, nesse meio século, uma obra que, difundindo-se rapidamente pela Itália e pelo mundo, deu abundantes frutos de bem à Igreja e à sociedade.
Essa obra, hoje, está presente em setenta países, e propõe uma experiência de fé capaz de enraizar-se nas mais diversas culturas; uma experiência que muda em profundidade a vida das pessoas, pois as impele a um encontro pessoal com Cristo. “Comunhão e Libertação” é um Movimento que pode ser corretamente considerado, ao lado de uma grande variedade de outras Associações e novas Comunidades, um dos rebentos da promissora “primavera” suscitada pelo Espírito Santo nos últimos cinqüenta anos. Este meio século foi marcado por um duro confronto com as ideologias dominantes, por uma crise dos projetos utópicos e, mais recentemente, por uma tendência disseminada ao relativismo, ao ceticismo e ao niilismo, que levam ao risco de que se extingam os desejos e as esperanças das novas gerações.

2. Sinto a necessidade de exprimir a V. Rev.ma, como também a todos os membros do Movimento, o desejo de que este importante aniversário jubilar impulsione cada um a reencontrar a experiência espontânea da qual o Movimento teve início, renovando o entusiasmo das origens. De fato, é importante manter-se fiel ao carisma do início para poder responder eficazmente às expectativas e aos desafios de cada época. Repito hoje o que vos disse há alguns anos: “Renovai continuamente a descoberta do carisma que vos fascinou, e ele vos conduzirá com mais força a tornar-vos servidores daquele único poderio que é Cristo Senhor” (Discurso aos padres participantes do Retiro Anual promovido por Comunhão e Libertação, 1985).
Ao seguir humilde e fielmente a Jesus, como todos os batizados são chamados a fazer, cada um de vós se inspire no exemplo da Virgem Maria. Que Ela seja o modelo da vossa vida como cristãos hoje! “O vosso Movimento – eu dizia ainda, por ocasião do 20º aniversário do reconhecimento da Fraternidade de “Comunhão e Libertação” por parte do Pontifício Conselho para os Leigos – quis e deseja indicar não um caminho, mas o caminho para alcançar a solução deste drama existencial. O caminho, quantas vezes V. Rev.ma o afirmou, é Cristo” (nº 2; in: L’Osservatore Romano, 13 de fevereiro de 2002, p. 8).
Está precisamente aqui a intuição pedagógica original de seu Movimento: repropor, de maneira fascinante e em sintonia com a cultura contemporânea, o acontecimento cristão, percebido como fonte de novos valores, capazes de orientar a existência inteira.
É necessário e urgente ajudar a encontrar Cristo, para que Ele se torne a razão última do viver e do agir também para o homem de hoje. Essa experiência de fé gera um olhar novo para a realidade, uma responsabilidade e uma criatividade que concernem a todo e qualquer âmbito da existência: da atividade de trabalho aos relacionamentos familiares, do compromisso social à animação do ambiente cultural e político.
Elevo minha oração ao Senhor para que a celebração dos cinqüenta anos do vosso Movimento ofereça a cada um de seus membros a oportunidade para uma pausa salutar da qual possam recomeçar cheios de segurança, encarando com entusiasmo renovado as novas tarefas apostólicas do terceiro milênio. Que este ano jubilar seja uma oportunidade providencial para aprofundar o conhecimento de Jesus e o amor por sua pessoa e por sua mensagem de salvação.

3. “Avançai para águas mais profundas! ‘Duc in altum!’ (Lc 5,4). Essa palavra evangélica, que pude repetir em mais de uma ocasião, dirijo hoje também a vós. Ela é convite a relembrar o passado com gratidão, a viver apaixonadamente o presente e a abrir-se com confiança para o futuro, pois Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre! (Hb 13,8)” (cf. Novo millennio ineunte, 1). Animado por essa consciência, continue o vosso Movimento a anunciar a todos a beleza e a alegria do encontro com o Redentor do homem; proclame com vigor a misericórdia divina e lembre à humanidade, às vezes sem confiança, que não se deve ter medo, pois Cristo é o nosso futuro.
Com profunda devoção ao Sucessor de Pedro e aos legítimos Pastores da Igreja e em estreita união com os outros Movimentos e Associações, oferecei no interior das Comunidades diocesanas e paroquiais a contribuição original do vosso carisma, difundindo e testemunhando a mensagem evangélica.
A Virgem Santa, mestra e modelo de vida cristã e “fonte vivaz” de esperança, acompanhe e proteja sempre o vosso caminho. Seja Ela o sustento para o qual olhar constantemente.
Com estes sentimentos e votos, enquanto asseguro minha participação espiritual nas celebrações jubilares, de bom grado concedo a V. Rev.ma, aos colaboradores e a todos os membros do Movimento uma especial Bênção Apostólica.

Do Vaticano, 22 de fevereiro de 2004

[Passos, abril de 2004, Encarte, Carta do Papa a Dom Giussani pelos 50 anos de CL]

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